Moderador: Mestre João Castro Fernandes, professor e coordenador da Mobilidade Internacional na Universidade Lusíada de Lisboa
  • Francisco Cesário
      Francisco CesárioSecretário-Geral da Associação Portuguesa de Contact Center
    • Dr. Vitalino Canas
        Dr. Vitalino CanasProvedor da Ética Empresarial e do Trabalho Temporário

      Trabalho temporário: uma oportunidade a longo prazo

      Preconceito em relação ao trabalho temporário foi um dos tópicos em discussão.

      O Trabalho Temporário foi o tema em discussão do último encontRHo, com o apoio da ManpowerGroup empresa que atua no setor dos recursos humanos há mais de 60 anos. O hotel Tryp Aeroporto foi mais uma vez palco de um pequeno almoço, dedicado à comunidade RH, no dia 22 de setembro.
      O painel foi composto pelos seguintes oradores:
      – Francisco Cesário: Secretário-Geral da Associação Portuguesa de Contact Center;
      –  Vitalino Canas: Provedor da Ética Empresarial e do Trabalho Temporário;

      E moderador:
      João Castro Fernandes, professor e coordenador da Mobilidade Internacional na Universidade Lusíada de Lisboa.

      João Castro Fernandes fez a introdução ao tema mostrando que o trabalho temporário é uma questão cultural, ou seja Portugal não vê o trabalho temporário, como os países europeus. Enquanto o norte da Europa aposta fortemente no trabalho temporário, os portugueses olham-no com muita desconfiança. Um dos problemas que o professor aponta é no facto dos portugueses ambicionarem um trabalho rotineiro e pouco ambicioso. Quanto aos jovens, salienta a imaturidade dos jovens de hoje, o que prejudica a sua entrada para o mercado de trabalho.

      Por isso aponta que é necessário criar hábitos nos jovens de hoje de:

      • Elogiar o esforço;
      • Elogiar o desempenho;
      • Salientar que errar tem consequências.

      Após esta pequena introdução foi a vez de Vitalino Canas  dar  a sua visão sobre o  trabalho temporário. Deu primazia à função de provedor do trabalho temporário, na qual vê um sinal de maturidade desse setor. Esta figura enaltece a transparência e o rigor não só da Associação da Ética Empresarial e do Trabalho Temporário, como também do setor, salientou Vitalino Canas.

      Também o trabalho temporário é criador de emprego. Muitos estudos mostram que a maioria dos lugares são preenchidos desta forma.  No que diz respeito à economia de cada país o trabalho temporário é sempre uma melhor aposta nos tempos de crise, que nos tempos de prosperidade.

      Vitalino Canas revela ainda que o trabalho temporário é muito importante como uma (re)entrada no mercado de trabalho, assim uma porta para o acesso a contratos mais estáveis.

      O provedor do trabalho temporário deixa o alerta para uma aposta tanto na contratação coletiva, como numa aposta formação. Deixa algumas salvaguarda, como  o facto de o trabalho temporário não ser o mesmo que os recibos verdes, e que em Portugal havia muito a prática dos ”falsos recibos verdes”.

      Aponta também quais as vantagens do trabalho temporário:

      • Instrumento usado pelas empresas para terem mais sucesso tendo em conta a tendência anteriormente indicada;
      • Via mais adequada para quem esteve fora do mercado de trabalho regressar ao ativo;
      • Veículo de formação;
      • Veículo de acesso a contratos mais estáveis com a empresa para onde vão trabalhar;
      • O trabalhador temporário envolve-se tão intensamente ou mais, que os restantes trabalhadores que já estão estáveis na empresa. Uma das razões é o querer mostrar que tem potencial e que a empresa de trabalho temporário pode continuar a apostar nele;
      • Uma elevada percentagem de trabalhadores fica na empresa de trabalho temporário;
      • Os trabalhadores temporários ficam melhor preparados para transitarem de uma empresa para outra. Vão adquirindo competências que permitem uma melhor adaptação a essas mudanças.

      E deixa alguns aspetos negativos:

      • Precariedade de alguns vínculos;
      • Tratamento menos éticos de algumas empresas de trabalho temporário;
      • Salários baixos.

      Francisco Cesário foi o último a tomar a palavra. Mostrou o panorama vivido em Portugal, quando a este tema. Um trabalhador temporário tem este estatuto, porque muitas vezes não teve um contrato de trabalho. Ao contrário de Portugal, no norte da Europa existem colaboradores que apenas procuram trabalho temporário. E neste caso a sua motivação era maior do que os trabalhadores fixos e contrariando a tendência queria obter uma forte ligação com a empresa, onde trabalhava.

      Pois assim, o trabalhador era um recurso valorizado, tanto para a empresa, como para agência de trabalho temporário, para que posteriormente fosse a primeira escolha para um próximo trabalho.

      Posteriormente apontou que existem duas novas tendências para o trabalho temporário:

      • Uma fonte de rendimento extra;
      • Jovens que querem compensar a mesada dada pelos pais.

      Concluiu a sua intervenção ao dizer que atualmente existe uma relação de proximidade entre a agência de trabalho temporário e o trabalhador. E que a tendência para recrutar pessoas mais qualificadas, em vez de apenas colaboradores de baixas qualificações.

      Que conclusões pode tirar deste encontRHo:

      • Um maior empenho nos trabalhadores temporários que querem demonstrar à organização que têm valor, face a outros que têm outro vínculo contratual;
      • Em Portugal são as franjas que recorrem ao trabalho temporário;
      • Precisa-se de potenciar sinergias com os parceiros sociais para que as soluções encontradas sejam adequadas às necessidades de crescimento da sociedade;
      • É hora de aproveitar o momento de retoma, de reformular as estratégias, de dar um sinal exterior, nomeadamente aos estudantes e demonstrar-lhes que o trabalho temporário é uma boa oportunidade que lhes pode permitir entrar no mercado de trabalho;
      • Melhorar as práticas de Recursos Humanos, na relação que as empresas estabelecem com o trabalhador temporário;
      • Recorrer à lógica do trabalho com contrato a tempo indeterminado.

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